quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

AURORA BOREAL

Aurora boreal

Tenho quarenta  janelas
nas paredes do meu quarto ,
sem vidros nem bambinelas
posso ver  atrás delas o mundo
em que me reparto .

Por uma entra a luz do Sol ,
por outra a luz do Luar e por

outra a luz das Estrelas
que andam Céu a rolar .

Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão ,
por aquela  a luz dos homens ,
pela outra a escuridão .

Pela maior entra o Espanto ,
pela a menor a Certeza ,
pela frente a Beleza que
inunda  de canto a canto

pela quadrada entra a Esperança
de quatro lados iguais , quatro
Arestas , quatro Vértices quatro
portas Cardeais .

Pela redonda entra o Sonho , que
 as  vigias são redondas , e o sonho
afaga e embala à semelhança das
ondas .

Por além entra a tristeza , por aquela
entra a saudade , e o desejo , e a
humildade , e o silêncio , e a surpresa ,
e o amor dos homens , e o tédio , e o
 medo  , e a melancolia , e essa fome

sem remédio que se chama poesia
e a inocência e a bondade e a dor
própria , e a dor alheia e a paixão

que se incendeia , e a viuvez , e a
piedade , e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente , arrepiados
de medo , todos os risos e choros , todas

as fomes e sedes , tudo alonga a sua  sombra
na minhas quatro paredes .

Oh janelas do meu quarto ,
que vos pudesse rasgar !

com tanta janela aberta
falta - me a luz e o ar .






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