quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PRENDE - ME

Prende - me  ; não sei se chama
interna me afogueia ... Amor
isto será . fala - me com  candura
candidamente ao teu amigo :

Ensina - me a curar a funda
chaga , que internamente
lavra por mim todo , que
desta agitação flagela ,


mostra - me a causa
mostra - me o remédio :


Tu a tiveste tambèm
já não te a vexam

mostra - me a causa ,
mostra - me o remédio :
mostra - me por que medo
a terminaste .

Talvez do que te digo farás
mofa ... Ah !

Vê por meus lábios a inocência
contigo è que exprime ;

tem dò dela , e se os meus sentimentos
são culpáveis , diz - me que abafados
no meu peito serei vitima deles ;

se extingui - los  os meus esforços
todos não puderem , comigo hão - de
morrer findar comigo .

Treme - me a voz , a articulação
não posso , sons que emperrada
lìngua não exprime , sinto desejos ,
que me custam a expressar :

Amor e como ideia tal me arroja ?
Será talvez  amor isto que eu sinto ?

Jà tenho lido efeitos dos seus danos ;
mas esses , que seu jogo suportaram  ,
tinham a quem repartissem , tinham
a quem seu peso repartissem ,

tinham a quem chamavam doce objecto ,
quem a seu mal remédio sugerisse ,

isto era amor ; mas em amor não sinto ;
a doce inclinação , que dois amantes
consagram um ao outro , desconheço
sim dos homens a vista lisonjeia

è para mim , nenhum porém me prende ;não
 sei se chama interna me afogueia



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