interna me afogueia ... Amor
isto será . fala - me com candura
candidamente ao teu amigo :
Ensina - me a curar a funda
chaga , que internamente
lavra por mim todo , que
desta agitação flagela ,
mostra - me a causa
mostra - me o remédio :
Tu a tiveste tambèm
já não te a vexam
mostra - me a causa ,
mostra - me o remédio :
mostra - me por que medo
a terminaste .
Talvez do que te digo farás
mofa ... Ah !
Vê por meus lábios a inocência
contigo è que exprime ;
tem dò dela , e se os meus sentimentos
são culpáveis , diz - me que abafados
no meu peito serei vitima deles ;
se extingui - los os meus esforços
todos não puderem , comigo hão - de
morrer findar comigo .
Treme - me a voz , a articulação
não posso , sons que emperrada
lìngua não exprime , sinto desejos ,
que me custam a expressar :
Amor e como ideia tal me arroja ?
Será talvez amor isto que eu sinto ?
Jà tenho lido efeitos dos seus danos ;
mas esses , que seu jogo suportaram ,
tinham a quem repartissem , tinham
a quem seu peso repartissem ,
tinham a quem chamavam doce objecto ,
quem a seu mal remédio sugerisse ,
isto era amor ; mas em amor não sinto ;
a doce inclinação , que dois amantes
consagram um ao outro , desconheço
sim dos homens a vista lisonjeia
è para mim , nenhum porém me prende ;não
sei se chama interna me afogueia

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