quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PRENDE - ME

Prende - me  tu ?

não mereço a imundo cedro voraz
essas pérolas de preço não as deites :
È capaz de as desprezar na torpeza
da sua bruta natureza .

Irada , te há - de admirar , despeitosa ,
respeitar , mas indulgente ... Oh !
O perdão è perdido no vilão ,

que de ti há - de zombar .

Vai , vai ... para sempre Adeus !
Para sempre aos meus olhos
 sumidos seja o clarão da
tua divina estrela .

Faltam - me olhos e razão
para a ver , para entendê - la :

Alto está no firmamento de mais
e demais è bela para o baixo
 pensamento com que em mà
hora a fitei ;

Falso e vil o encantamento
em que em mim me deixa
aqui nas trevas em que nasci

Trevas negras , densas , feias
como è negro este aleijão
donde me vem sangue

nas veias , este que foi coração
porque è sò terra e não cabe
nele uma ideia  dos Céus ...

Oh ! vai , vai , deixa - me , Adeus !
Cedro : Porco
Torpeza : Qualidade do que è ignóbil
desonestidade .




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