sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CANTO VINGADOR

Canto Vingador

As bigornas erguem gritos
nòs malhamos martelos formidáveis !
rangeram blasfémias os carris
nòs rolamos vertiginosamente !

lançam suplicas os paióis
nòs vamos explodir!


geme a campina inteira
nòs desfloramo - la à força!

serramos as grades derrubamos
as paredes jogamos os punhos
de aço despedaçamos a noite !
do fundo dos tempos e de nòs

saímos para a madrugada nòs
vingaremos a afronta que fizeram
a nossa raça! temos machados e este
sangue vermelho e esta raiva medonha
ò floresta arrumai - vos !

deixai passar quem leva estrelas
acesas acesas nos olhos !

nòs levamos destino certo
nòs vingaremos a afronta
que fizeram a nossa raça!


ESTRADA NOVA

Estrada Nova

Nòs estamos a jogar
picaretas de aço

ò montanha negra
nòs te vencemos !

vimos em fúria
dos confins do mundo
vimos em fúria
dos confins do mundo
nòs estamos a jogar
picaretas de aço !

è uma estrada nova
è uma estrada nova

ò companheiros de sangue
vermelho!

nòs estamos a jogar
picaretas de sangue
de aço

è uma estrada nova !

vimos em fúria
dos confins do mundo
vibrai abatei a montanha!

nòs estamos a rasgar
uma estrada nova
vimos em fúria
dos confins
do mundo !



ESTRADA NOVA

Eu Canto

e a humanidade
leva -me dentro
do coração

eu dou-lhe a resolução
inabalável e a fé

vereis as montanhas

havemos de vencê - las
em breve

e serão nossas
as planícies
abertas de espanto

então os cantos
dos poetas
serà de plena
alegria

os seus poemas
serão pássaros
a voar na manhã
clara





PRESENÇA

Presença

Quem virà para salvar
o mundo ?

Os deuses faliram
todas as sulpìcas
resultaram inúteis


Mesmo a grande esperança
que Jesus trouxe foi ultrajada
e Jesus não volta mais

Os vendilhões abriram
tendas inumeráveis

e Judas multiplicou
por milhões os 30
dinheiros

por isso as cidades
foram abrasadas

e os heróis moços
tombaram

entre as papoilas rubras
da planície

e a angùstia suprema
alagou os campos e
as cidades

e se fechou a maior noite
dos tempos

agora sò nòs salvaremos
o mundo






quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

IDENTIDADE

IDENTIDADE

Eu sou o vento
que havia de vir

venho das terras
onde os homens
já nasceram irmãos

e eu sei que já nada

os pode separar
os homens

eu beijo os brancos
na face e os negros
e toda a humanidade

eu sopro e trago
comigo  as chuvas
e os poemas

canto levo as
sementes redentoras

lanço - as conscientemente
eu sou o vento semeador

as minhas sementes são
homens e mulheres

e o meu gesto
è o mais belo
que o mundo
 viu

da terra negra
os homens

novos brotam
e as novas mulheres

e erguendo os braços
o sol os veste de
 fraternidade

eu sou o vento
que havia de vir

o vento necessário
escutai a canção
admirável

de meus lábios
de poeta

e deixai que eu passe

eu quero beijar
suavemente

os seios e o sexo
em flor

das mulheres magníficas
que estão a conceber

deixai que eu passe
bonaçonsamente

e serei em paz
quando não passarei

de qualquer forma
serei o furacão

que tudo subverte
pois a sementeira
terá de se fazer














Mãe Terra

Mãe Terra

Vai poesia
não me pertences
 mais

fecunda livre
poesia

acrescer estão

os seios das mulheres
suavíssimos
inchando de puríssimo
 leite

brotando estão as searas

as palavras de todas
as línguas confundindo- se

as proas do navio
eu as engrinaldei
de pássaros e flores
de maio
sexo viris
e luminosos olhos
as floresci






Conquista

CONQUISTA


Amada !


O que tu és sou eu
olha bem para mim

tenho mãos tenho pès

tenho olhos rubros
e um sexo aberto !

o meu destino è o teu
terra! terra ! somos terra !

terra vermelha e negra
terra farta de campos
poeira de astros

lama rocha estrume flor

terra vermelha e negra
terra mãos e pès
olhos fundos
e sexo aberto
ao sol!

orgulha - te comigo,amada !
saùda comigo a vida !

e pelo sol e pelos bichos
pelo cascalho dos caminhos
pelas fontes das montanhas

por todas as misérias e chagas
por todo o esterco
e por todo o génio

por tudo o que è mesquinho
e grande nos fez Homens
e Mulheres minha amada!

olha -me bem no fundo
dos olhos e de mãos dadas
rompe comigo à conquista
do mundo!




o tempo

escoa - se por entre os teus cabelos em ti as leivas as fontes as fontes e as sementes os mais secretos caminhos em ti as searas ainda futur...