domingo, 5 de março de 2017

Lamento

Quero ajudar ao lamento
de quem melhor fica leda ,

mas neste tão falso tempo
à renúncia sò se entrega .

Noutros tempos qualquer
terra prezara a tão bem
talhada hoje toda a beleza
è nada

se juntos estão amiga e amigo ,
livres de todo o cuidado , o
inverno  todo , eu vos digo
por ambos è bem passado .

Quer inverno , quer verão ,
os dois têm tanto sabor
aqui quero louvar .

Curto è o dia de inverno ,
para dar s amante terno
alegrias repetidas .

Jà dei com a lìngua
nos dentes !

Se não me tenho
calado , jà não
me deito ao teu lado .

Nather Von der Vogelweide




Um na poesia de Nather Von der Vogelweid

Um encontro suave na poesia
de Nather Von der Vogelweid
    ( Século XII )


Curto è o dia de inverno , as noites
porém compridas , para dar ao amante
terno alegrias repetitivas .

...

Os leitores familiarizados com a Òpera

Tannhauser de Richard Wagner Von der   Vogelweid , pois è
um doos minnesanger que acom+anha Landgrave .

Outros melòmanos com curiosidade mais estendida , conhecerão
algumas das suas canções em interpretação de grupo de música antiga
por antologias de minnesssanger ... Mas descobrir à sua poesia em português
não è tarefa fácil . Encontrei alguns poemas numa história da literatura alemã
de onde transcrevo em tradução superlativa , de João Barreto .

Walther Von der Vogelweid  , poeta musico alemão , e dos mais notàveis ,
terà nascido em Tirol por volta de 1170 , tendo morrido cerca de 1228 - 30 .

Embora cavaleiro , preferiu viver a vida de cantor ambulante , andando
de corte em corte , em busca de mecenas .

È assim que na corte  de Hermann da Turingia encontra Tannhauser
 e participa num concurso de canto , afinal parte dos factos reais que
 pela Ópera de Wagner circulam .

A poesia amorosa de Walther Von der Volgelweid dà conta  de uma
atitude diferente perante a mulher que pratica trabadors e trauvorès
( 1 ) , e a època pelos minnessanger .

Assim , enquanto a poesia de amor cortês se envolvia em aspectos
idealizados  da mulher  de ressonâncias marianas , no nosso poeta
o amor è terreno repassado de lirismo e felicidade que o viver pode
proporcionar .

Hà outros aspectos na sua poesia , nomeadamente a critica aos
acontecimentos do tempo que fazem os especialistas considera - lo
o primeiro poeta politico alemão .

Como hoje o que me interessa è levar o leitor para sua poesia amorosa
ai fica a amostra :


*

Uma senhora è a minha
alegria de coração tão virtuoso
de tão formosa harmonia , que
servi - la è um gozo .

Não vai negar - me um sorriso ,
è meu seja como for , nem que queira ,
eu não vou nisso , sonho com esse favor .

Quando me sento ao teu lado
e ela me dà conversa , deixa - me tão
baralhado que me anda a roda a cabeça .

Não sou mau conversador , mas basta
ela olhar para mim para eu deixar de
saber que me faz sentir ali .









RETRATO DE MULHER

Possuidora do Nobel de 19666 , Wislawa Szymborrdka
( 1923 - 2012 ) jà falcida .  A Polinesa , que viu a Segunda
Guerra Mundial , a Ocupação Nazi e a Tirania Comunista ,
nas Palavras de Nelson Ascher , " Mostrou Como a Sanidade
 e a Lucidez podem Brotar da Terra Arrasada .

Retrato de Mulher


Deve ser para todos os gostos .
Mudar sò para que nada mude .
È fácil , impossível , difícil

vale tentar

Seus olhos são se preciso ,
ora azuis , ora cinzentos ,
negros , alegres , rasos de água
sem nenhuma razão .

Dorme com ele como a primeira
que aparece , a única no mundo .
Dà - lhe quatro filhos , nenhum filho ,
um .

Ingénua , mas que melhor aconselha
Lê Jaspers  e revista de mulher .

ao entende de parafusos mas constrói
uma ponte

Jovem , como sempre jovem , ainda jovem .
Segura nas mãos pardalzinho de asa partida .
Seu próprio dinheiro para uma viagem longa
e longìqua .

Um cutelo para carne , uma compessa , um
càlice de vodca .

Corre para onde está cansada
Claro que não , sò um pouco ,
muito , não importa .
Ou ela o ama ou è teimosa
para o bem , para o mal e para
o que vier .

( Tradução de Regina Pryzbcien , Poemas  Companhia de Letras )






Palavra

Palavra

Machados
Que batem e retinem na madeira
E os ecos !
Ecos escapam
Do centro dos cavalos .

A seiva
Mina em lágrimas , como


Água , tentando
Repor seu espelho
sobre a rocha

Que cai e racha ,
Crânio branco ,
Comido por ervas daninhas .

Anos depois eu
As encontro no caminho
Palavras secas , sem destino ,

Incansável som de cascos
Enquanto
Do fundo do poço , estrelas fixas
Governam uma vida .


Tradução de Rodrigo Garcia
e Maurício Arruda Mendonça ,
Sylvia Plath : Poemas Iluminuras


Sylvia Plath ( 1932 - 1963 )
autora do famoso romance THE BELL JAR
è conhecida por ter se casada com o tambèm
poeta Ted Hughes e por ter lutado com a depressão
durante toda a sua brevíssima vida . A  sua Poesia
partilha da tendência confessional do período , e assim
, não surpreende que predomine a temática morte e suìcidio .






Vícios da Poesia

Um erotismo suave na poesia
de Nather Von der  Vogelweid
      ( SEC.XII )

Curto è o dia de inverno , as noites
porém compridas   para dar ao amante
terno alegrias repetidas


Os leitores familiarizados com a ópera Tanhauser
de Richard Wagner jà se terão cruzado com o nome
de Wather Von  der Volgeweid pois è um dos minnesager
que acompanha o landgrave .

Outros , melómanos com curiosidade mais estendida , conhecerão
algumas canções em interpretação de música antiga espalhada por
antologia minnessanger .. Mas descobrir a sua poesia em português
è tarefa difícil . Encontro alguns poemas da literatura alemã de onde
transcrevo , em tradução , superlativa de João Barrento .

Walther Von der Vogelweid , poeta - musico - alemão , e dos mais notáveis ,
 terá nascido no Tirol por voltas de 1170 , tendo morrido cerca de 1228 - 30 .
Embora sendo cavaleiro , preferiu viver a vida de cantor ambulante , andando
de corte em corte , em busca de mecenas . È assim que na curte de Hermann
da Turíngia encontra Tannhauser e participa num concurso de canto afinal
parte dos factos reais  que pela Òpera de Wagner circula .

A poesia amorosa de Walther Von der Vogelweid dà conta de uma atitude
diferente perante a mulher que pratica por trobador e trouvères a ( 1 )  , e
a època pela minnesanger . Assim , enquanto a poesia de amor cortês se
envolvia em aspecto idealizados da mulher de ressonâncias marianas ,
no nosso poeta o amor è terreno repassado de lirismo que a felicidade de
 viver pode proporcionar . Há outros aspectos na sua poesia , nomeadamente
 a critica aos acontecimentos do tempo que fazem os especialistas considera
 - lo o primeiro poeta politico alemão .

Como hoje o que me interessa è levar o leitor para sua poesia amorosa
ai fica  a amostra .

*

Uma senhora è a minha alegria
de coração de tão formosa harmonia
que servi - la è um gozo .

Não vai negar - me um sorriso ,  è meu
seja como for , nem que queira  ,eu não
vou nisso , sonho com esse favor .

Quando me sento a seu lado e ela me dà
conversa , deixa - me tão baralhado que
me anda a roda a cabeça .

Não sou mau conversador , mas basta ela
 olhar para mim para eu deixar de saber
que me fez sentar ali .










MULHERES

MULHERES

Como as mulheres são lindas !
Inútil pensar que è do vestido ...
depois não há sò as bonitas
Há as feias , certas feias em cujo
olhos vejo isto :

uma menininha que è batida
e pisada que nunca sai da cozinha .
Como deve ser bom gostar de uma feia !
O meu amor porém não tem bondade alguma
È fraco ! fraco !

Meu Deus , eu amo como as criancinhas ...
Ès linda como uma história da carochinha
e eu preciso de ti como precisava da mamã e do papà

( No tempo em que pensava que os ladrões moravam

no morro atrás de casa e tinham
 cama de  pau )

Publicado no Livro Libertinagem




TU ÈS A TERRA

TU ÈS A TERRA ...

Tu ès a terra em que pouso
Macia , suave , terna e dura
o quanto baste

a que teus braços como tuas
pernas tenham de amor a força
que me abraça


Ès tambèm a pedra a qual
a terra às vezes contra que
nas arestas me lacero e firo ,
mas de musco coberto refrescado
as próprias chagas de existir contigo

E sombras de árvores , e flores e frutos ,
rendidos  a meus gestos e meu sabor

e uma àgua cristalina e murmurante
que me segrega sò de amor no mundo

Ès a terra em que pouso não paisagem ,
não Madre Terra de bosques e montanhas
- terra humana   em que me pouso inteiro
e para sempre .

Londres , 15 / 03 / 1973
Jorge de Sena


o tempo

escoa - se por entre os teus cabelos em ti as leivas as fontes as fontes e as sementes os mais secretos caminhos em ti as searas ainda futur...