sexta-feira, 3 de março de 2017

Vicio da Poesia

Amor e Desejo em três poemas
de , Jorge de Sena

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Eduardo Hopper , Jorge de Sena
Imagem : Matisse

Falando da obra poética de Jorge de Sena
( 1919 - 1978 )

ainda que apenas a poesia reunida
em livro pelo o poeta em vida tão
escandalosamente ausente delas
hà mais de 20 anos , abro o apetite
aos novos leitores com dois poemas
onde o amor se cumpre no corpo
da amada :


... Cristalino pó de amantes enlaçado .


" Conheço o sal ... "

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu
inverno da carne repousa em
suor nocturno .

Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam
lábios e o coração no sexo palpitava .

Conheço o sal dos teus cabelos
negros ou louros ou cinzentos
que se enrolam neste dormir
de brilhos azulados .

Conheço o sal da tua boca , o sal
da tua lìngua , o sal dos teus mamilos
e da cintura se curvando em ancas

A todo sal conheço que è sò teu ,
ou è de mim em ti , ou è de ti
em mim , um cristalino pò de
amantes enlaçados .

Madrid  , 16 / 1 / 1973




quinta-feira, 2 de março de 2017

VIDA

Toco o peso da tua vida a carne
que fulge o sorriso a inspiração
e eu sei que cercaste os pensamentos
com mesa e harpa vou para ti com a
beleza oculta o corpo iluminado pelas
luzes  longas digo eu sou a beleza seu
rosto e seu durar teus olhos transfiguram
- se tuas mãos descobrem a sombra da minha
 face agarro a tua cabeça áspera e luminosa e
digo ouves meu amor ? eu sou aquilo que se
espera para as coisas para o tempo eu sou a
 beleza inteira tua vida e deseja para mim se erguem teus olhos de longe tu própria me duras em minha velada beleza









 .

Dai - me um torso dobrado

Dai - me um torso dobrado
pela música , um ligeiro

pescoço de planta onde uma
chama comece a florir o espírito

à tona da sua face se moverão
águas dentro da sua face



estará a pedra da noite

então cantarei a exaltante
alegria da morte .



quarta-feira, 1 de março de 2017

Dai - me uma mulher

Dai - me uma mulher tão nova
como a resina e o cheiro da terra
como uma   flecha em meu flanco
cantarei

e enquanto manar de minha carne
uma videira de sangue

cantarei seu sorriso ardendo
suas mamas de pura substância

a curva quente dos cabelos
beberei sua boca

para depois cantar a morte
e a alegria da morte .







CANTAR ?

Cantar ? cantar longamente
ante cantar a uma mulher
com quem beber amar e
 morrer

quando fora se abrir o
instinto da noite
e uma ave o atravessar
trespassada por um grito
marítimo


e o pão invadido pelas ondas
seu corpo arderá mansamente

sob os meus olhos palpitantes
ele imagem vertiginosa e alta
de um certo pensamento de
alegria e de impudor

seu corpo arderá para mim
sobre o lençol mordido por
flores de água .



POESIA SENSUAL

PAIXÃO E ÊXTASE

Embriagado de desejo excitante
a minha pele aspira bebe o licor
do teu corpo

sobretudo o aroma
se difunde

inebriados degusta - se os sabores

embebecidos de prazer
presos no enlaço

paixão que arde
insidias devaneios

arrasta os lençóis
nas garras dos teus
braços

corpos em deleites
entregues aos meus
aos meios de nòs dois

noite avassaladora
apogeu das fogueiras

braseiro em chamas
ambos num terno
fascínio

saltam vaga - lumes
flamas alvissaras

eternos amantes
chama de luz
devaneios


nos nossos supremos
momentos quebramos
mitos

satisfazemos nossas vontades
sufragamos os gritos






Em todos os jardins


Em todos os jardins beberei
a lua cheia quando eu enfim
no meu fim possuir todas as
praias onde ondeia o mar

um dia serei eu o mar e as areias
a tudo quando existe hei - de - me
unir e o meu sangue arrasta em cada
abraço que um dia então receberei

se há - de abrir então receberei no meu
 desejo todo o fogo que habita na floresta
conhecida por mim como num beijo

então receberei no meu desejo todo o fogo
que habita na floresta conhecido por mim
como o desejo

então serei ritmo das paisagens secretas
abundância dessa festa que eu via prometida
nas imagens




o tempo

escoa - se por entre os teus cabelos em ti as leivas as fontes as fontes e as sementes os mais secretos caminhos em ti as searas ainda futur...