Amamos sempre no que temos
o que não temos quando amamos.
O barco para , largo os remos
e , um ao outro , as mãos nos damos.
A quem dou as mãos ?
A outra .
Teus beijos são de mel de boca ,
São os que sempre sonhei dar ,
E agora a minha boca toca a
boca eu sonhei beijar de quem è a boca ?
Da outra .
Os remos jà caíram a água , o barco
faz o que a água quer .
Meus braços vingam minha màgoa
no abraço que podem ter quem abraço ?
A outra .
Os remos vão jà perdidos , o barco
vai e não sei aonde .
Que fresco o teu sorriso está ,
Ah ,meu amor , e o que ele esconde !
Que è do teu sorriso
Da outra ?
Ah , talvez ambos nòs mortos , num
outro rio sem lugar noutro barco outra
vez sòs possamos nòs os dois recomeçar
que talvez sejas a outra
mas não , nem onde essa paisagem è sob
eterna luz externa te acharei maus que
alguém na viagem que amei com terna
ansiedade por ser parecida com a outra .
Ah ,por ora , idos remos e rumo , dà -me
as mãos , a boca o teu ser . E façamos
desta hora um resumo do que não
podemos ter , nesta hora ,a única
sê a outra .
Este livro de mágoas . Desgraçados
Que no mundo passais , chorai ao
lê - lo !
Somente a vossa dor de Torturados
Pode , Talvez , Senti - lo ... Compreendê - lo .
Este livro è para vòs , Abençoados
Os que sentirem , sem ser bom nem belo !
Livro de sombras ... Névoa e Saudades !
Bíblia de tristes ... Ò Desventurados ,
Que a vossa dor se acalme ao vê - lo !
Bíblia de tristes ... Ò Desventurados ,
Livro de Mágoas ... Dor ,os olhos rasos de água .
Chorai comigo a minha imensa màgoa ,
Lendo o meu livro sò cheio de mágoas ! ...
Eu amo - te sem saber como ,
ou quando , ou a partir de onde .
Eu simplesmente te mo , sem
problemas ou orgulho ;
Eu amo - te desta maneira porque
não conheço qualquer outra
forma de amar , sem ser esta ,
onde não existe eu ou tu tão
intimamente ligados que a tua mão sobre o meu peito è a minha
mão tão intimamente que quando
adormeço os teus olhos se fecham .
quem me dera ver - te !
Ai ! Quem me dera dizer - te ,
que pude amar - te , e perder - te ,
mas olivar - te isso não !
Que no ardor de outros amores
através de mil dissabores senti
vivas sempre as dores de uma
remota paixão .
com que dorida saudade
penso nessa mocidade ,
nessa vaga ansiedade ,
que soubeste compreender !
E tu , sò tu soubeste , que
num mundo como este , qual
florinha em penha agreste ,
pode a flor morrer .
orvalhaste - a quando ainda ,
ao nascer singela e linda ,
respirava a esperança infunda ,
que consigo a infância tem .
Amparaste - a , quando a norte
das paixões , soprando forte ,
lhe quis da rápida morte como
CÂNDIDO DE CACÉM !
E depois nuvem escura là no
céu desta ventura enlutou -me
a aurora pura nos meus sonhos
infantis .
Houve nesta vida um espaço ,
onde nunca dei um passo , em
que não deixaste um traço de
paixões vis !
E não tenho outra memória
que me inspire altiva glória ,
nem outro nome na história
de meus delírios fatais .
Se percorro a longa escala
de paixões que a honra cala ,
quem de um nobre amor me
fala ès tu e mais ninguém !
De resto , apenas nestas variedades
cenas de ilusões , e inglória penas
nada sinto que perdi !
Sinto bem esse desdouro , que
comprei com falso ouro , em
despeito de um tesouro que sò
pode achar em ti